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Mostrando postagens de março, 2016

Pequenas frustrações cotidianas.

Ameaçou chuva. Melhor descer agora. Solta o cabelo. Olha no espelho. Guarda-chuva na mão. Pega cinquenta reais do aluguel. Humanos e felinos precisam merendar. Humanos e felinos precisam de casa limpa. Chega no mercado de fama pela vigilância. Tem cinquenta reais.  Pega o carrinho. É abduzida pela sessão de jardinagem. O segurança já encarou.  - Dane-se, quero ver as plantinhas. - Só R$3,75! Tem amigo chegando de viagem.  Fez aniversário!  Quer levar de lembrancinha. Vai até o fim da sessão.  Quer a mais bonita. Se aproxima de um corredor estreito. Plantas de um lado. Plantas de outro. Um homem no meio do caminho. Pede licença.  Recebe olhar de: "veio aqui me dar mole". "Quer planta nada!" Invade o espaço mesmo assim. Segue até o fim da sessão.  Quer a mais bonita. Ele olha.  Quer se decidir: cacto ou suculenta? "Veio aqui me dar mole". Droga! Quer se decidir em paz. Decide rápido...

pensamento exprimido

Caminha com semblante apreensivo  alvo na reta, pensamento exprimido na cabeça "headphone" no ouvido ruído, fm político Golpe, briga, armação Taxa, dólar, opressão Presidente e Oposição Decisão e Decepção Que semana apertada tanta coisa pra fazer esse mal estar social conjuntura do mal afastamento anormal  das gentes Caminha com semblante indeciso alvo na reta, pensamento exprimido Vai no caderno e faz esse rabisco.  

NÃO ME ARREPENDO DE NADA | GIOCONDA BELLI

(Tradução base de Silvio Diogo, versão de Jeff Vasques / Imagem: Morning Sun de Edward Hopper ) Daqui, da mulher que sou, às vezes me entrego a contemplar aquelas que eu podia ter sido; as mulheres primorosas, modelo de virtudes, trabalhadoras boas esposas que minha mãe desejou para mim. Não sei por quê passei minha vida inteira me rebelando contra elas odeio suas ameaças em meu corpo a culpa que suas vidas impecáveis por um estranho feitiço, me inspiram; revolto-me contra seus bons ofícios, os prantos noturnos sob o travesseiro, às escondidas do marido o pudor da nudez, por baixo da passada e engomada roupa íntima. Estas mulheres, no entanto, olham-me do interior de seus espelhos, levantam um dedo acusador e, às vezes, cedo a seus olhares de reprimenda e gostaria de ter a aceitação universal, ser a “boa menina”, a “mulher decente” a impecável Gioconda, tirar dez em conduta com o partido, o estado, as amizades, minha família, meus filhos e todos os demais ...