Pedi ao Gabriel que cortasse o meu cabelo. Queria um corte assim: grande na frente, bem curto atrás. Se ficasse estranho atrás tudo bem difícil é lidar com as reações chatas na frente da gente. Meu amigo cortou, cortou, cortou. Intervi em vários momentos. Era nítida a minha insegurança, chatos os meus comandos. Eu aborrecida num estreito reflexo entre espelhos. Custou, mas saiu. Outras visitantes acompanhavam o ritual. Sentadas na cama da Jô, as monstras, as transgressoras da paranóia da "beleza e aceitação alheia" riam e curtiam a mutação: direito sagrado de ser. Nesse verão em Niterói, no alto dos 27 anos essa poda me fortaleceu. O cabelo estava muito ressecado por causa de um descoloramento. Me irritava ainda mais a situação anterior: um chanelzinho. - Insisto nisso! Não tem nada a ver comigo! Passado o noturno drama pessoal Tarde quente, nuca fresca. Descobri meu redemoinho. É muito cabelo! Ainda bem que eu cortei!