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já se viu horrendo?

eu amo os versos de uma poesia mal feita
dessas que a gente esconde com vergonha
cada a letra, espaço e pontuação tem sentimento
denuncia a gente como a gente não quer querendo
denuncia a gente como a gente não se vê fazendo

é que eu temo o mundo das palavras duras
dessas que a gente sabe que rasga por dentro
cada letra, espaço e pontuação tem sentimento
denuncia os outros como a gente não quer sofrendo
denuncia os outros como a gente não se vê horrendo

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(Tradução base de Silvio Diogo, versão de Jeff Vasques / Imagem: Morning Sun de Edward Hopper ) Daqui, da mulher que sou, às vezes me entrego a contemplar aquelas que eu podia ter sido; as mulheres primorosas, modelo de virtudes, trabalhadoras boas esposas que minha mãe desejou para mim. Não sei por quê passei minha vida inteira me rebelando contra elas odeio suas ameaças em meu corpo a culpa que suas vidas impecáveis por um estranho feitiço, me inspiram; revolto-me contra seus bons ofícios, os prantos noturnos sob o travesseiro, às escondidas do marido o pudor da nudez, por baixo da passada e engomada roupa íntima. Estas mulheres, no entanto, olham-me do interior de seus espelhos, levantam um dedo acusador e, às vezes, cedo a seus olhares de reprimenda e gostaria de ter a aceitação universal, ser a “boa menina”, a “mulher decente” a impecável Gioconda, tirar dez em conduta com o partido, o estado, as amizades, minha família, meus filhos e todos os demais ...

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